Por que e como aprender a produzir anotação de texto oral?

Texto sobre orientação de estudo

Tema: Anotação de texto oral

 

Por que e como aprender a produzir anotação de texto oral?

            Aprender a tomar notas é uma aprendizagem essencial, sobretudo quando se lê para estudar. Quando praticamos essa modalidade de leitura acionamos inúmeras estratégias, pois como salienta Myriam Nemirovski: “A prática da leitura une duas pontas de um caminho que pode transitar entre estudar para ler e ler para estudar” (APUD SÃO PAULO, 2014, p. 31). Consequentemente, tanto a escrita, quanto a leitura, precisam ser assumidas como pano de fundo na apropriação de diferentes procedimentos de estudo.

            A anotação de texto oral deve ser compreendida como uma ação de apoio ao processo de compreensão/interpretação do que está sendo explicitado por meio de um discurso oral, em situações como: uma aula, uma palestra, uma entrevista, um seminário, um debate, um congresso, uma reunião, uma plenária, entre outras tantas similares que demandam a capacidade de tecer registros, enquanto se segue acompanhando uma exposição oral.

            Este não é um exercício fácil, haja vista, que nestas situações, ao mesmo tempo em que se mantem a concentração no discurso oral, com intuito de acompanhá-lo, é preciso sintetizar e anotar trechos relevantes ou registrar questões para serem feitas posteriormente, enquanto o discurso não cessa.

            Nesta perspectiva, faz-se necessário dividir a concentração entre duas ações concomitantes: acompanhar o discurso oral e anotar – por meio de frases, palavras-chave, abreviações etc.-  trechos/ideias que nos ajudem depois a retomar o que foi dito. Em geral, as primeiras tentativas, de quem começa a realizar esse exercício de anotação de texto oral é o de tentar escrever, ipisis littesris, tudo o que está sendo dito. Todavia, logo percebemos que essa é uma missão inglória, inviável. A não ser que se domine a arte milenar da taquigrafia.

            Quando vamos realizar alguma anotação em um texto escrito, os procedimentos se diferenciam dos que utilizamos na anotação de texto oral, já que podemos retomar quaisquer trechos, quantas vezes quisermos, sempre que for preciso. O que não ocorre, por exemplo, durante uma palestra, um seminário, um debate etc. Ao ouvirmos algo que desejamos anotar, o registro precisa ser efetuado de forma rápida, clara objetiva, e para isso é preciso que se decida como aquela ideia, conceito, exemplo etc., pode ser registrada para que depois, se consiga recuperar o que foi dito. Tudo isso, ao mesmo tempo em que se segue acompanhando o discurso. Então, considerando as diferenças entre esses dois procedimentos, é preciso que os estudantes aprendam fazer anotação de texto oral e escrito. Para tanto, precisam ser criadas boas situações de ensino e de aprendizagem nessas duas dimensões discursivas.

            Os estudantes não aprenderão a realizar boas anotações, sem que sejam ensinados a fazê-las. Ensinar os procedimentos de estudo é dever da escola que deseja desenvolver a autonomia do estudante. Portanto, procedimentos como: anotar, grifar, resumir, resenhar, fichar, esquematizar, categorizar, pesquisar entre muitos outros devem tornar-se também conteúdos de ensino de todas as áreas do conhecimento.

            Além do mais, o ensino dos procedimentos de estudo, assim como qualquer outro,  deve ser proposto de forma contextualizada, inseridos em situações onde esse procedimento realmente tenham significado e que inclusive tenham existência fora da esfera escolar. Como afirma Mirta Castedo, os estudantes aprendem quando “exercem essas práticas no contexto social; o faz em tempo didático em cuja duração – e graças a essa duração – os alunos utilizam e refletem sobre distintos conteúdos” (p.125).

           Neste sentido, no tocante ao ensino de anotação de texto oral, é essencial promover situações didáticas onde os estudantes possam começar a praticá-la, realizando atividades que envolvam, por exemplo: o uso de roteiros, como apoio para registro das primeiras anotações; a identificação de palavras-chave, referente aquele discurso oral, exercitando a arte de sintetizar o que será anotado; ou ainda, que acompanhem um discurso oral registrando questões, dúvidas que poderão ser sanadas posteriormente. Essas, entre outras atividades, contribuirão para que os estudantes aprendam, aos poucos, a tecer anotações autônomas.

            Ao pensarmos em situações didáticas, para o ensino da produção de anotação de texto oral,  não podemos esquecer que os estudantes precisam de algumas referências sobre como elas  podem ser feitas. Assim, uma boa estratégia é que o professor, promova inicialmente momentos em que realize, junto com seus estudantes,  algumas anotações desta natureza.  Isso pode ser feito enquanto se assiste um documentário, por exemplo, em que se possa ir pausando o vídeo, para se discutir as possibilidades de anotação do trecho que foi acompanhado. Esses momentos são essenciais, pois favorecem a ampliação da circulação de informação, ajudam os estudantes a refletir, levantar e checar hipóteses, fazer escolhas e compará-las aos de seus colegas, até que chegue a um consenso sobre qual a anotação mais clara e objetiva. Momentos assim, favorecem a  relação dialógica,  que  precisa urgentemente ser retomada na atualidade, assim como o exercício da escuta atenta e respeitosa.

            Em suma, é fundamental que a escola, transforme alunos em verdadeiros estudantes. Que se fomente de forma intencional em sala de aula, bem como, em todo espaço escolar, o exercício da intelectualidade. Pois como afirmava Freire, o ato de ler para estudar “(…) implica não somente uma penetração crítica em seu conteúdo básico, mas também numa sensibilidade aguda, numa permanente inquietação intelectual, num estado de predisposição à busca”. Aprender como se estuda é condição imprescindível ao desenvolvimento da autonomia, favorece o processo de emancipação, impulsiona a construção de novos conhecimentos, a constituição do senso crítico e o refinamento de nosso processo de humanização.

                                           Texto Walkiria Rigolon – produzido para formação de professores

 

Referência bibliográficas

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Autores Associados, 1989.

CASTEDO, M. (Coord.) et al. EGB 1. Propuestas para el aula. Material para docentes. Programa Nacional de Inovações Educativas. Ministério da Educação da Rep. Argentina, 2001.

SÃO PAULO. Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Diretrizes do Programa Ensino Integral. 2014. Disponível em: http://www.educacao.sp.gov.br/a2sitebox/arquivos/documentos/726.pdf. Último acesso em: 16 jul. 2018.

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